Trombose Venosa Profunda

por set 15, 20140 Comentários

Definições Gerais

A trombose venosa profunda (TVP) é quando há a presença de sangue coagulado dentro de uma veia profunda em qualquer lugar do corpo. Isso acontece quando há um estado de coagulação mais pronunciado no corpo (trombofilia), um trauma (cirurgia, por exemplo) ou quando há estase (quando se fica muito tempo parado ou acamado ou imobilizado – gesso).

A TVP é uma condição que traz dois problemas: inutiliza a veia que está com trombo e expõe ao risco do trombo migrar ao pulmão. A veia inutilizada causa inchaço e dor na perna e o risco de migrar traz o risco de embolia pulmonar. A embolia é quando há a presença do trombo na circulação pulmonar. Isso traz risco para a troca de oxigênio e alteração na função do coração. Em casos graves pode ser fatal.

Em longo prazo, a depender da localização, a TVP pode causar edema remanescente do membro acometido podendo trazer diversas complicações.

Os fatores associados com TVP são: Idade, imobilização, TVP prévia, obedidade, varizes prévias, infecção, câncer, quimioterapia, insuficiência cardíaca, gravidez e puerpério, anticoncepcionais, reposição hormonal, etc.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo quadro clínico, exames e ultrassom doppler.

O quadro clínico típico é um inchaço de uma das pernas súbito e que não defaz ao repouso. Além disso vem associado a dor de forte intensidade tipo peso e surda especialmente em panturrilhas. Há dor a palpação da perna que fica empastada.

Apesar desses sintomas típicos, muitas vezes os sintomas são bem menos evidentes. Em relação ao exames podemos pedir o d-dímero. Trata-se de um produto da degradação da fibrina e este aumentado sugere processo de trombose em atividade. Quando positivo, apesar disso, não significa que há o dignóstico de TVP. O d-dímero pode estar aumentado em diversos casos (trauma, feridas, infecção, etc).

O exame mais utilizado e mais disponível nos hospitais para o diagnóstico e acompanhamento de TVP é o ultrassom doppler.

Nesse exame podemos identificar o trombo, avaliar se é um caso agudo ou crônico e acompanhar sua evolução (recanalização).

Tratamento

O tratamento da trombose na fase aguda é o uso de anticoagulantes e de repouso (nas primeiras 48 horas).

Em casos de trombose de veias ilíacas em pacientes jovens e sem comorbidades, podemos utilizar o método de trombólise e tromboaspiração. Nessa modalidade de tratamento utilizamos um acesso geralmente pela veia posterior ao joelho e recanalizamos o traombo com fio guia e implantamos um cateter por dentro do trombo. Por esse cateter infundimos trombolítico (RTPA) que dissolve o trombo.

Na alta dos pacientes utilizamos uma medicação anticoagulante oral (warfarina ou rivaroxabana) por um tempo determinado que depende do local do trombo e de doenças associadas.

Após a fase aguda o membro acometido pode ou não ficar com um certo inchaço residual que vai depender de diversos fatores. Tratamos esse inchaço com meia elástica e venotônicos.

Quando há contraindicação para o uso de anticoagulantes, podemos utilizar o implante de filtro de veia cava:

O filtro de veia cava é um dispositivo que indicamos para implante como meio de diminuir a incidência de embolia pulmonar. Ele é implantado na veia cava que fica a meio caminho das veias de perna e o pulmão. Assim, todos os trombos que migrem de uma área de trombose na perna com mais de 5mm2 ficam retidos nessa malha metálica.

O implante do filtro de veia cava é indicado principalmente em dois casos:

– em pacientes que apresentam embolia ou novas tromboses mesmo com anticoagulação adequada

– em casos de pacientes com contraindicação absoluta de usar anticoagulantes (por exemplo: pós neurocirurgia).

O implante é feito no centro cirúrgico ou na hemodinâmica. Realiza-se o procedimento com anestesia local e sedação. O tempo do procedimento é de 30-60 minutos. Realiza-se uma punção na veia femoral ou jugular e realiza-se um exame de venografia da veia cava para avaliar se a mesma não apresenta variações anatômicas ou trombose.

Após isso, realiza-se a passagem de fio guia e avança-se o sistema de entrega do filtro. Assim, o filtro é liberado logo abaixo da emergência das veias renais. Após o procedimento realiza-se o controle para confoirmar o adequado posicionamento. Em casos que o fator é modificável (por exemplo: após traumas) podemos realizar a retirada do filtro num melhor momento após até 3 semanas do implante.

Abaixo uma animação simples e ilustrativa do implante do filtro de veia cava:

https://www.youtube.com/watch?v=xkVJNUnSF6M

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